A sustentabilidade se tornou um critério central para decisões industriais, investimentos e acesso a mercados globais. Ao mesmo tempo, o uso excessivo e pouco criterioso do termo abriu espaço para um problema crescente: o greenwashing. Em um cenário regulatório mais exigente, distinguir compromissos reais de discursos superficiais deixou de ser opcional.Este artigo explica como a Taxonomia Sustentável Brasileira redefine o conceito de sustentabilidade industrial, como o greenwashing opera na prática e quais critérios técnicos ajudam a identificar práticas sustentáveis reais, com impactos mensuráveis em controle de carbono, reutilização de materiais e shelf life de embalagens.
O que a Taxonomia Sustentável Brasileira muda na prática
A Taxonomia Sustentável Brasileira, desenvolvida pelo Ministério da Fazenda, estabelece critérios técnicos para classificar atividades econômicas alinhadas à sustentabilidade ambiental, social e climática. Seu objetivo é reduzir ambiguidades, criar linguagem comum entre setores e orientar decisões de financiamento, políticas públicas e estratégias corporativas.
Mais detalhes sobre sua estrutura e diretrizes estão disponíveis no site oficial do governo federal
Diferentemente de abordagens genéricas, a taxonomia não avalia intenções ou discursos. Ela se baseia em impactos verificáveis, exigindo evidências sobre redução de emissões, eficiência no uso de recursos, circularidade de materiais e mitigação de riscos ambientais.
Isso afeta diretamente setores industriais que atuam com materiais, embalagens, produtos de consumo e cadeias produtivas complexas.
Greenwashing: quando o discurso não acompanha o impacto
O termo greenwashing descreve estratégias de comunicação que apresentam produtos ou processos como sustentáveis sem comprovação técnica proporcional. Segundo o Ministério da Justiça, essa prática ocorre quando há exagero, omissão ou uso de linguagem vaga para induzir o consumidor ao erro.
Organizações de defesa do consumidor apontam que o greenwashing não se limita à publicidade. Ele também aparece em relatórios corporativos, embalagens, selos auto declaratórios e promessas genéricas de “baixo impacto ambiental”.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor detalha essas práticas e seus riscos.
Estudos recentes indicam que uma parcela significativa dos produtos vendidos como sustentáveis não apresenta comprovação técnica consistente, o que fragiliza a confiança do mercado e aumenta a pressão regulatória.
Como identificar práticas sustentáveis reais na indústria
A diferenciação entre sustentabilidade concreta e greenwashing passa por critérios técnicos claros. Entre os principais indicadores estão:
Controle de carbono ao longo do ciclo de vida
Práticas sustentáveis reais consideram emissões desde a origem da matéria-prima até o descarte ou reutilização. A simples redução em uma etapa isolada não é suficiente se o impacto total permanece elevado.
Reutilização de materiais e circularidade
A incorporação de resíduos industriais ou subprodutos como insumos produtivos reduz a extração de recursos naturais e emissões associadas. Modelos circulares tendem a gerar ganhos ambientais mensuráveis e recorrentes.
Aumento do shelf life por meio de embalagens
Estender a vida útil de produtos reduz perdas, desperdício de alimentos e necessidade de reposição logística. Tecnologias aplicadas a embalagens que ampliam o shelf life têm impacto direto na pegada ambiental das cadeias de consumo.
É nesse conjunto de critérios técnicos que a sustentabilidade deixa de ser um atributo simbólico e passa a ser um fator estrutural de competitividade industrial.

Sustentabilidade aplicada a materiais e embalagens
No contexto industrial, soluções sustentáveis consistentes costumam atuar de forma integrada: menos matéria-prima, maior durabilidade, melhor desempenho funcional e redução de resíduos ao longo do uso.
Em materiais e embalagens, isso significa desenvolver tecnologias que atuem no controle microbiológico, na preservação de produtos e na eficiência do processo produtivo, sem transferir impactos para outras etapas da cadeia.
Empresas que trabalham com inovação em materiais precisam demonstrar como suas soluções contribuem para métricas objetivas, alinhadas às exigências da Taxonomia Sustentável Brasileira e às expectativas de mercados internacionais.

Como avançar além do discurso
A pressão regulatória e a sofisticação do mercado tornam cada vez mais difícil sustentar narrativas genéricas de sustentabilidade. Transparência técnica, rastreabilidade e evidências passam a ser diferenciais decisivos.


